quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Ativistas invadem sitío e resgatam 100 chinchilas criadas para fazer pele




Na noite de domingo (19 de outubro), cerca de 100 chinchilas foram libertadas de um criadouro num sitío em Itapecerica da Serra (SP) por um grupo de ativistas da Frente de Libertação Animal (ALF, sua sigla em inglês). Recentemente foi aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo um Projeto de Lei (PL) que "proíbe a criação e manutenção de animais com o intuito de usar sua pele", e que precisa ser aprovado ou vetado pelo governador do Estado, Geraldo Alckmin. A seguir, comunicado da ALF sobre a ação direta.

C o m u n i c a d o:

Não acreditamos em petições, em PL, em lei, não acreditamos em nada que seja relacionado ao estado opressor, pois no mundo onde vivemos, não existe justiça, e não a alcançaremos se não lutarmos com as nossas próprias mãos por ela! Sendo assim a ação direta é a nossa escolha, pois com ela acreditamos ao menos passar perto do termo LIBERTAÇÃO ANIMAL, uma vez que, enquanto respondemos essas perguntas, centenas de milhares de vidas estão sendo arrancadas pelas mãos do homem opressor, não podemos ficar simplesmente “aguardando” ou nos manifestando “pacificamente”, acreditando em promessas vazias e em engravatados do poder, que lucram com a morte de todos esses animais. Nós somos a avalanche, que vem derrubando os muros dessa sociedade doentia capitalista. Continuaremos salvando vidas, sendo livres, e livrando!

Se querem mesmo nos ajudar, pedimos que se organizem melhor, de forma descentralizada, autônoma e libertária, livres de qualquer tipo de preconceito, políticos e instituições do governo, livres de exposições desnecessárias nas redes sociais, pois sofremos uma enorme perseguição, afinal, somos quem fere os interesses econômicos do país, ou seja, somos o inimigo n° 1 do estado, portanto, devemos nos cuidar e cuidar de todos que lutam por essa causa!

Não aceitaríamos de maneira nenhuma dar uma entrevista ou sequer registraríamos uma ação desse tipo se não houvesse um único propósito, o de abrir os olhos da sociedade, pois a cada dia que passa, conhecemos mais e mais pessoas que simpatizam com a libertação animal, porém, ainda precisam de muita instrução para executarem ações bem sucedidas!

Gostaríamos de deixar claro que não estamos sozinhos. Em todo lugar do mundo existem células A.L.F., informe-se, converse apenas com pessoas de sua total confiança, forme a sua célula, não combine nenhuma ação ou algo do tipo via redes sociais, telefones celulares… existem outros meios de comunicação, a mais segura de todas continua sendo a conversa pessoalmente! Lembrando, apenas com pessoas de sua total confiança!

Lembrando que:

Nós não iremos alcançar a libertação animal de forma pacífica/passiva! As leis não favorecem nem a nós (animais humanos), Imaginem só esperar por leis que irão realmente favorecer a eles (animais não humanos)? Nós não iremos parar por aqui até que não exista mais exploração animal e da Terra. Portanto, não importa onde estivermos, estaremos resistindo e lutando por toda e qualquer forma de vida que ainda resta nesse planeta.

Sendo assim… só nos resta a LUTA.

Com amor...

Frente de Libertação Animal 


terça-feira, 18 de março de 2014

Implicações éticas do consumo e extração do leite de vaca






Sônia T. Felipe é professora e pesquisadora do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), orientadora de projetos de mestrado e doutorado no Programa de Pós-graduação em Filosofia, na área de Ética e Filosofia Política, Ética Animal e Ética Ambiental, e no Doutorado Interdisciplinar em Ciências Humanas da UFSC, membro do Bioethics Institute da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e investigadora do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, Portugal. Autora do livro "Galactolatria - Mau deleite"

Uma palestra introdutória acontecerá às 18h30, com o palestrante Lydvar Schulz, com o título "Marketing de laticínios e casos sociais da indústria leiteira".

Sobre a palestra:
Data: 19/Março/2014, quarta-feira, 19h30
Local: Universidade Federal do Paraná (UFPR), prédio Dom Pedro I da Reitoria, Sala Homero de Barros
Rua General Carneiro, 460, 1º andar - Centro - Curitiba (PR)
Atenção: capacidade limitada. Reserve sua entrada.
Reservas: eventos@onca.net.br
Patrocínio: Semente de Girassoll e Veg Veg - Empório Vegetariano

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A HUMANIDADE DOS NÃO HUMANOS



por James Gorman



O que é ser uma pessoa?
“Seres que reconhecem a si próprios como ‘eu’. Isso são pessoas.”
Ao menos esse era o ponto de vista de Immanuel Kant, segundo Lori Gruen, professora da universidade Wesleyan, em Conecticut, que pensa e escreve a respeito de animais não humanos e das questões filosóficas envolvidas na forma como os tratamos.

Ela estava discutindo as iniciativas de um grupo que buscava reconhecer legalmente os chimpanzés como pessoas, com direitos à liberdade, embora se trate de uma liberdade com limites consideráveis.
O Projeto dos Direitos dos Não Humanos, grupo liderado por Steven M. Wise, entrou com pedidos de hábeas corpus em Nova Iorque, no dia dois de dezembro, em nome de quatro chimpanzés cativos nos EUA. Os processos arquivados, mas Wise afirmou que planeja recorrer.

Wise acredita que o uso histórico do hábeas corpus como ferramenta contra a escravidão humana oferece um modelo de como lutar pelos direitos dos não humanos.
Seu caso se baseia especialmente na ciência. Presentes nos autos, os depoimentos de nove cientistas oferecem opiniões sobre o que a pesquisa afirma a respeito da vida dos chimpanzés, de sua capacidade cognitiva e autoconsciência.

Wise argumenta que os chimpanzés são parecidos o suficiente com os seres humanos para terem um direito limitado à liberdade física. O processo pedia que os chimpanzés fossem libertados e levados a santuários.

Richard L. Cupp, professor da Universidade Pepperdine, na Califórnia, que se opõe à concessão de direitos a animais não humanos, descreveu a estratégia legal como “muito distante do comum.”
A ciência comportamental é apenas uma parte do argumento legal, embora seja crucial para sua idéia central – a de que os chimpanzés são até certo ponto autônomos.
Lori Marino, da Universidade Emory, em Atlanta, na Geórgia, afirmou que para fins de iniciativa legal, autonomia significa “uma capacidade muito básica de consciência de si mesmo, de suas circunstâncias e de seu futuro.”

A ciência não pode ser categórica em relação a esse tipo de argumento, mas pode apoiar ou questionar essa noção de autonomia. “Se você formular as perguntas corretas”, afirmou Dr. Gruen, “existem respostas importantes que a ciência pode fornecer a respeito da cognição e do comportamento animal.”
O Dr. Marino afirmou que a ciência poderia “contribuir com evidências sobre os tipos de características que um juiz pode entender como parte da autonomia.”

A questão da autoconsciência e da consciência do passado e do futuro vão de encontro ao senso comum do que a personalidade deve ser. Chimpanzés, elefantes e alguns cetáceos demonstraram serem capazes de reconhecer a si mesmos no espelho.

O projeto dos direitos afirma que, no caso dos chimpanzés, conforme descreve o Dr. Marino, “ele sabe o que era o eu de ontem, o eu de hoje e o eu de amanhã” e “tem desejos e objetivos para o futuro.”
Existem diversas evidências de que alguns animais agem pensando no futuro. Certos pássaros escondem sementes para poderem comê-las em tempo de escassez, por exemplo.

Um dos argumentos foi apresentado por Matthias Osvath. Da Universidade de Lund, na Suécia, que estuda as capacidades cognitivas dos animais, especialmente em grande símios e alguns pássaros.
O dr. Osvath fez pesquisas com Santino, o chimpanzé de um zôo na Suécia, que recolhe e esconde pedras para jogar mais tarde nos visitantes humanos. Osvath argumentou que Santino tem a capacidade de pensar no que faria no futuro com as pedras que guardou.

Nem todos os defensores do Bem-estar animal estão convencidos de que a exigência dos direitos para os animais não humanos é o melhor caminho a ser trilhado.

Gruen afirmou ter dúvidas sobre a abordagem dos direitos, tanto do ponto de vista filosófico quanto político. “Meu ponto de vista pessoal é que faz mais sentido pensarmos que temos uma dívida para com os animais.”

Robert Sapolsky, primatologista e neurologista na Universidade de Stanford, na Califórnia, afirmou que embora as evidências sugiram que os chimpanzés sejam autoconscientes e autônomos, existe um abismo entre eles e os seres humanos.

Os chimpanzés podem até pensar no futuro, escondendo comida para mais tarde, afirmou. Mas os seres humanos, destacou, são capazes de pensar “nas conseqüências do aquecimento global para seus netos, na possível morte do sol, ou mesmo na própria morte.”